Projeto Juventude Empreendedora premia jovens de Nova Iguaçu

Em tempos de crise econômica e com o mercado de trabalho cada vez mais fechado, investir no próprio negócio tem sido a aposta de muitas pessoas. Mas quando a iniciativa tem cunho social, o resultado pode ser ainda melhor e também render reconhecimento e prêmios. Foi com o objetivo de incentivar projetos com esta finalidade que a Prefeitura de Nova Iguaçu firmou parceria com o CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável) na realização da 3ª edição do Projeto Juventude Empreendedora.

Nova Iguaçu é um dos quatro polos do CIEDS (os outros ficam no Centro do Rio, Méier e Duque de Caxias) e recebeu cursos voltados para o empreendedorismo financiados pelo Itaú Social. Durante sete meses, 30 alunos moradores de comunidades e áreas periféricas iguaçuanas e de outras cidades da Baixada participaram dos encontros semanais promovidos na Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres, órgão ligado à Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS).

“Somos parceiros neste projeto, pois acreditamos na juventude. Com muita criatividade, nossos jovens são capazes de criar novas formas de geração de renda e impactar suas comunidades de forma positiva”, disse a secretária da SEMAS, Elaine Medeiros. “Estaremos sempre de portas abertas para iniciativas como esta”.

Ao todo, 626 jovens entre 18 e 25 anos, representantes de 16 municípios do Rio de Janeiro, se inscreveram, no início de 2019, nos quatro polos do projeto do CIEDS. Destes, 102 foram selecionados para o curso de formação e 64 passaram por avaliação de uma banca. Os 30 aprovados, sendo 10 do polo de Nova Iguaçu, participaram da Feira de Negócios da Juventude Empreendedora, realizado no dia 7 de novembro, no Museu Histórico Nacional, no Rio.

“Foram distribuídos R$ 60 mil em premiações. Cada um dos 30 participantes da feira recebeu R$ 1 mil. Cinco deles receberam mais R$ 1 mil, sendo que quatro selecionados pela banca do evento e um por votação popular. Outros cinco jovens receberam mais R$ 5 mil cada”, conta Ricardo Saad, coordenador do projeto Juventude Empreendedora.

Um dos contemplados com o prêmio máximo foi Raffael Rasuski Vasconcelos dos Santos, 22 anos. Mesmo sendo morador de São João de Meriti, foi em Nova Iguaçu que ele ganhou mais fundamentos para o projeto. O jovem chegou a participar da segunda edição, no ano passado, mas precisou abrir mão para se dedicar ao emprego. Este ano, Raffael se inscreveu novamente e voltou a ter seu projeto selecionado.

“Minha ideia inicial era abrir uma escola de arte. Mas como o intuito era oferecer aulas de dança e música gratuitas para os moradores de comunidades, percebi que o projeto era inviável para o propósito do curso que tem como objetivo ensinar o aluno a desenvolver um negócio que seja rentável”, explica Raffael, que decidiu mudar de planos dois meses após o início das aulas. “Desde pequeno sou apaixonado pela área da tecnologia, então resgatei uma antiga ideia de produzir energia através de imãs neodímios. A Energia de Origem Magnética (EOM) tem um custo menor que as energias solar e eólica e proporcionaria às famílias de baixa renda uma economia de até 40% na conta de luz”, garante o jovem, técnico em automação industrial e estudante de engenharia de controle de automação.

Com o prêmio total de R$ 6 mil, Raffael Rasuski irá patentear o projeto EOM e investir no aperfeiçoamento e divulgação de seu produto.

Iguaçuana vence votação popular

Os 30 participantes da Feira de Negócios do Juventude Empreendedora foram submetidos a uma votação popular vencida pela iguaçuana Jaqueline Gomes da Silva, moradora de Vila de Cava. Desempregada, ela viu na gastronomia a oportunidade para dar um novo rumo à vida e abriu seu próprio negócio, o JáQuero. A jovem, de 26 anos, faz salgados para vender no bairro e revela que o curso do CIEDS foi fundamental no desenvolvimento de sua atividade.

“Tive aulas de educação financeira, marketing digital, marketing pessoal e muitas outras que mudaram minha visão empresarial. O curso nos permite aplicar no trabalho todo o aprendizado adquirido e tornar o negócio mais rentável”, afirma Jaqueline.

Não é só o lucro nos negócios que preocupa Jaqueline. Ela demonstra também consciência ambiental ao armazenar todo o óleo utilizado na fritura dos salgados para fabricar sabão artesanal. “Muitas pessoas jogam o óleo no ralo, no vaso ou no lixo, mas elas não sabem o quanto isso polui o meio ambiente. Pretendo conscientizar os moradores do meu bairro para que eles não façam mais isso”, disse a jovem.

Ela se coloca à disposição para ensinar a fabricação do sabão artesanal ou até mesmo receber o óleo usado. Com o prêmio de R$ 1 mil da votação popular e os outros R$ 1 mil pela participação na Feira de Negócios, Jaqueline investiu na compra de um freezer para armazenar seus produtos.

Jovens como Jaqueline e Raffael são exemplos de que é possível empreender sem olhar apenas para o próprio negócio, mas também querer fazer o bem ao próximo. “A cada ano que passa percebemos que os jovens estão cada vez mais bem preparados. São pessoas que querem mudar a realidade da família, do local onde moram e das pessoas ao redor”, comemora Leandro da Silva Pereira, assistente de projetos do CIEDS e responsável pela mobilização nas comunidades e a parceria com a SEMAS.