Classe Hospitalar do HGNI retoma as atividades escolares e atende 44 crianças internadas em fevereiro

Receber cuidados médicos, fazer exames, tratamentos e tomar medicações, apesar de muito importante para a saúde, costuma ser uma rotina chata para as crianças internadas. Mas no Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI), em Nova Iguaçu, os pequenos passaram a ter um dia-a-dia diferente. As atividades da Classe Hospitalar foram retomadas depois de quase dois anos paralisadas devido à pandemia da Covid-19. O projeto leva o conteúdo escolar até os pacientes, permitindo que eles mantenham seus estudos enquanto se recuperam.

As aulas retornaram no dia 7 de fevereiro e até a última sexta-feira, dia 25, 44 crianças participaram das atividades da Classe Hospitalar, totalizando 147 atendimentos no mês. O projeto funciona desde 2006 no setor de enfermaria pediátrica do HGNI com o objetivo de manter o vínculo escolar da criança à sua escola mesmo durante a internação. Duas professoras da Secretaria Municipal de Educação (Semed) são responsáveis por preparar e aplicar as atividades complementares. Há três formas de atendimento: no leito, no setor de isolamento infantil e na sala de aula, que hoje estão fechadas para evitar aglomerações, respeitando as regras de prevenção à Covid-19.

As atividades funcionam em horário escolar. O conteúdo pedagógico vai do ensino infantil ao fundamental, que abrange crianças de 3 a 12 anos, e também há atividades lúdicas para os pequenos de 0 a 3 anos. Após a alta do paciente, a escola em que ele estuda recebe o relatório de todas as atividades que foram feitas.

Para o diretor-geral do HGNI, Joé Sestello, as atividades da Classe Hospitalar ajudam na recuperação da criança, com um tratamento humanizado, além de diminuir a tensão dos pais e facilitar os trabalhos dos profissionais da saúde.

“É um projeto que nos posiciona como um hospital de excelência, pois conseguimos priorizar dois segmentos fundamentais para a criança, que são a saúde e a educação. Não podemos descontinuar, em hipótese nenhuma, a parte educacional enquanto tratamos da saúde deste paciente”, explica o diretor.

As professoras Mônica Santos e Rosemary Mello verificam com a equipe médica o estado de saúde das crianças, circulam pelas enfermarias pediátricas, conversam com os pais ou responsáveis e preparam as atividades pedagógicas. Após isso, os atendimentos são iniciados e acontecem no período da manhã e da tarde.

“Avaliamos o nível de aprendizagem, se há alguma dificuldade e, a partir daí, vamos propondo as atividades, procurando sempre avaliar essa criança para ajudá-la com o conteúdo durante este período de internação. Depois criamos um relatório pedagógico, com os avanços e dificuldades, e mandamos para a família da criança e para sua escola para que ela siga avançando nos estudos”, explica Mônica.

A suspensão por quase dois anos das atividades da Classe Hospitalar também afetou as professoras, que aguardavam ansiosas a autorização para o retorno. Elas estão seguindo as medidas de prevenção à Covid-19 e reforçam a importância da iniciativa.

“É um sentimento de recomeço mais cauteloso por causa do momento pandêmico. Também é uma alegria estar contribuindo para que essas crianças continuem estudando enquanto estão no hospital, com alegria, conteúdos e atividades que amenizem a dor da internação”, conta Rosemary.

Responsáveis aprovam o projeto

Além da importante integração entre saúde e educação, os sorrisos, a interação e a diversão que o projeto proporciona, substituem o cansaço e a preocupação das crianças e de seus familiares. Benjamim Cagiano, de 5 anos, foi uma das crianças que se divertiu com as professoras da Classe Hospitalar. O pequeno, que estuda no CIEP Municipal Padre Nino Miraldi, em Mesquita, ficou internado por 45 dias no HGNI depois de passar por cirurgias. Ele revelou que quer ser motorista de ônibus quando crescer, e sabe que estudar é muito importante.

“Esse projeto é bom, pois incentiva as crianças a estudarem e participar das atividades na escola. Espero que o projeto seja muito reconhecido, pois cada um de vocês tem um papel fundamental na vida destas crianças”, reconhece Pâmela de Oliveira Lima, de 25 anos, mãe do Benjamim.

 

Na mesma enfermaria de Benjamim, esteve Lavynia Andrade, de 7 anos. Ela foi internada para uma cirurgia de remoção do apêndice e já recebeu alta. A pequena, que está no 2º ano do ensino fundamental e estuda na Escola Municipal Aminthas Pereira, em Nova Iguaçu, se divertiu com as atividades propostas.

“Todos os hospitais deveriam ter este projeto. As crianças ficam entediadas, só usando celular e as atividades são um incentivo para eles estudarem. Aprendem eles e também distrai a gente”, conta Maria Helena Correia, de 65 anos, avó de Lavynia.