Oficina de DJ nos Cras é sucesso em Nova Iguaçu

Alok, David Guetta, Tiesto, Aviicii, Martin Garrix, Afrojack, Vintage Culture e Cat Dealers, Steve Aoki, Paul van Dyk, Diplo, entre outros. Quem gosta de música eletrônica ou funk sonha se tornar um destes DJs conhecidos e famosos em todo o mundo. Em Nova Iguaçu, adolescentes e pessoas de todas as idades estão dando um importante passo para que esse sonho se realize. São os participantes das oficinas gratuitas de DJ, nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) Estação Morro Agudo, Centro e Cerâmica, todos da Prefeitura. Cerca de 40 pessoas estão inscritas no projeto
Desempregado e fazendo os conhecidos ‘bicos’ como ambulante, Roberto Fernandes Grilo, de 44 anos, é um dos alunos do curso do Cras Estação Morro Agudo. Ele diz que já tira parte de seu sustento tocando em eventos. “Não quero aprender apenas como hobby, preciso ganhar dinheiro e estou me dedicando cada vez mais para me tornar um ótimo DJ. Para mim é uma profissão que dá lucro e bem divertida, pois a música é a minha maior paixão”, conta Roberto.
O barbeiro Adrian Luis de Oliveira Silva, 18, que está fazendo um preparatório militar para tentar a carreira no Exército, já pensa numa segunda opção, caso seu sonho não se concretize: a música. “Quero ter um leque de opções, pois estou pensando na crise atual. A profissão de DJ é belíssima, mexe com a coordenação motora e o raciocínio rápido. Meu interesse pela música começou há três anos e sonho tocar em festas e salão, além de boates. Quero tocar funk. Estou no curso há um mês e já sei fazer mixagens. O dinheiro que eu ganho com corte de cabelos estou guardando para comprar uma controladora de Dj e outros equipamentos para tocar”, comentou o jovem.
Moradora de Comendador Soares, a estudante Gabriela Gomes da Silva, 16, é apaixonada pelo funk. A adolescente acredita que em algum dia possa tocar em grandes festivais, como o Rock in Rio e o Lollapalooza. Fã do Dj Marshmello que também é produtor de música norte-americano e a DJ Mc Isa, Gabriela diz que quer seguir seu coração.
“Pela razão eu sonho seguir a carreira militar, mas não posso deixar meu sentimento de lado. A música mexe comigo desde os 10 anos, quando era uma criança que dançava ao som de funk e batidas eletrônicas. Me imagino tocando para uma plateia gigantesca. Seria o máximo se apresentar para uma multidão”, diz. Gabriela conta que, em sua primeira aula, no Cras Estação Morro Agudo, na última semana, já aprendeu a fazer mixagens.
As aulas da oficina de DJ são ministradas pelo professor Cláudio Ur dos Santos, 43, que é profissional há 9 anos. Ele, que tem um pequeno estúdio em casa, ensina a parte teórica e prática aos alunos, além de como mexer numa mesa controladora, fazer ritmos e mixagens. Para ele, a oficina trabalha com a coordenação motora e o intelecto dos alunos, além de ajudar na redução do estresse e na integração das pessoas, funcionando como terapia comportamental.
“Há dois anos que damos aulas nos Cras e a música aqui não é só uma ocupação. A ideia é profissionalizar quem passa por esta oficina. O investimento básico hoje para trabalhar não é caro, em torno de R$ 5 mil. É uma profissão que dá dinheiro, pois pode tocar em casas de shows, bares, restaurantes, festas de casamento ou 15 anos, ou seja, há espaços e oportunidades para todos. Já trabalhei como pedreiro, metalúrgico, mas não deu certo e fiquei desempregado. Encontrei na música a forma de me sustentar”, afirma o DJ e professor.
As aulas no Cras Estação Morro Agudo acontecem às quintas-feiras, das 10h às 12h e das 14h às 16h, no Cras Cerâmica às quartas-feiras, o mesmo horário, e no Cras Centro, às terças-feiras. Para se inscrever é só ir à uma destas unidades.
“Essa oficina tem sido muito importante para o trabalho social, pois trabalha a família enquanto sujeito sociocultural, com suas histórias e projetos, fazendo reflexões sobre o cotidiano e as formas de organização da família. Tudo isso através da música. Promove ainda suas capacidades e autonomia”, afirma a secretária de Assistência Social Elaine Medeiros.