Oficina de artesanato garante renda extra

“Antes só andava cabisbaixa, com uma vida ociosa. Agora tenho uma ocupação, aprendi a fazer tricô, crochê, tapetes, fuxico, envelopamento de garrafas. Esse trabalho é uma fonte de renda que vai me ajudar em casa. Quero aumentar a produção e aprender para faturar mais”. O entusiasmo é da dona de casa Conceição Clemente, de 66 anos, uma das 25 mulheres que participam da oficina de artesanato do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Jardim Guandu, no bairro Jardim Paraíso, em Nova Iguaçu. Muitas estão aprendendo as técnicas de artesanato, vendendo os produtos produzidos no local e garantindo uma renda extra no final do mês.

Moradora do bairro Pantanal, dona Conceição, como é chamada pelas amigas, frequenta o curso há seis meses e disse que em apenas no primeiro mês que passou a vender seus produtos, faturou R$ 400 e a ocupação no Cras ainda lhe rendeu mais qualidade de vida.

“Além de aprender várias técnicas, aqui ainda melhorei minha saúde, pois com a concentração no curso perdi dez quilos. Troquei a comida pela arte e hoje me sinto uma artesã de verdade”, disse a idosa, que vive apenas da pensão do marido (já falecido) e mora com a filha e dois netos.

Oficineira de artesanato do Cras Jardim Guandu, Aline Nascimento Barcelos, disse que além de incentivar a produção da arte com material reciclável, o local está lapidando novos talentos. Até um grupo de WhatsApp “Arteiras do Guandu” foi criado para que elas busquem novas técnicas, como a de pintura e colagem.

“Elas funcionam como multiplicadoras, pois uma ensina a outra a técnica que aprendeu. O reaproveitamento é bastante usado por elas, mas também as ajudamos a fornecer o material. A fonte de renda com esse trabalho está crescendo muito”, afirma a oficineira. Para ela, a oficina também faz bem para saúde. “Muitas estavam em depressão e ficaram mais saudáveis. Tiveram qualidade de vida e melhoraram a autoestima. Quatro pessoas do grupo tomavam medicamento para combater a depressão e para dormir, e hoje não precisam mais disso”, garantiu Aline.

A doméstica Maria Luísa dos Santos Silva, 49, que frequenta o Centro de Referência de Assistência Social de Jardim Guandu desde julho do ano passado, apostou todas suas fichas nas redes sociais. Ela, que aprendeu a fabricar pregadeiras, tiaras e crochê, conseguiu faturar R$ 700 num só dia após expor seus trabalhos artísticos no Facebook.

“Numa festa de 15 anos, faturei R$ 700 só com garrafas decoradas. Meu marido é pescador e ganha pouco. Quero que meus trabalhos sejam a principal fonte de renda da minha família. Tenho quatro filhos para criar e quero me qualificar ainda mais para vender produtos para festas”, contou Maria Luísa.

A dona de casa Sandra Regina Pereira da Silva, 36, e a filha Evellen Ketlen Pereira, de apenas 13, se uniram pela arte e pela possibilidade de aumentar a renda da família. A menina, preocupada com o fim da mesada dada pelos pais, já pensa em vender tiaras e puffs, produzidos por ela no Cras, para as amigas de escola.

“Ela quer se qualificar e trabalhar com essa arte. Quer ajudar em casa. Isso é emocionante e motivo de orgulho para mim”, disse Sandra Regina. Ela diz que vem se surpreendendo no curso. “Nunca imaginei reaproveitar a caixa de leite e trabalhar com filtro de café. Pensava que era só jogar no lixo. Quero investir na pintura em tecido”, afirmou ela, que tem outras três filhas e pratica o curso há oito meses.

O curso de artesanato existe no local desde maio do ano passado. As aulas são às terças e quintas, das 9h às 11h e 13h às 15h30. No Cras de Jardim Guandu ainda há cursos de karatê, capoeira, brinquedoteca, horta e artesanato. A ideia é ainda implantar o curso de inclusão digital para pessoas idosas.

Superintendente de Proteção Social Básica da Secretaria de Assistência Social de Nova Iguaçu, Juliana Gomes, frisou que há intenção de expandir o curso de artesanato a outros Centros de Referência de Assistência Social do município.

“Atualmente também temos esse curso nos Cras de Terra de Marambaia, Miguel Couto e Vila de Cava. São dez unidades na cidade e queremos que o artesanato chegue a outros bairros”, disse ela.

O principal serviço oferecido no Cras é o Serviço de Atenção Integral às Famílias que estão em vulnerabilidade social, que é complementado pelo Serviço de Convivência de Fortalecimento de Vínculos. No de Jardim Guandu são oferecidos o cadastro único para o Bolsa Família e de programas sociais, como tarifa social, isenção em concurso público, ID Jovem, cartão do Idoso, atendimento com psicólogo e assistente social.