Violência doméstica: mulher relata drama durante palestra sobre a Lei Maria da Penha em Nova Iguaçu

“O problema de muitas mulheres é perdoar o primeiro tapa por achar que o homem vai mudar. Mas a violência só vai aumentando e se torna cada vez pior. Foi assim comigo, eu perdoava porque achava que meu companheiro iria mudar”. A revelação é de Monique Godim dos Santos, 28 anos, uma das cerca de 50 mulheres que assistiram nesta sexta-feira (11) à palestra “Direitos da Mulher – Conquistas e Desafios”, promovida pela Prefeitura de Nova Iguaçu, através da Procuradoria Geral do Município (PGM).

Mãe de três filhos, ela esteve no auditório da E. M. Leonel de Moura Brizola, em Austin, para acompanhar a explanação do procurador-chefe do Centro de Estudos Jurídicos (CEJUR) Oscar Bittencourt Neto, sobre a importância Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), que completa 12 anos em agosto e cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Monique conta que manteve um relacionamento com o ex-companheiro por 12 anos e sofreu diversas agressões durante metade deste tempo. “Ele começou a me bater depois de seis anos juntos. Eu descobri que ele estava usando drogas e achava que se ele parasse de usar não iria me agredir mais, então acabava perdoando. Como ele não mudou, decidi ir à delegacia e fazer a denúncia e buscar proteção pela Lei Maria da Penha”, recorda Monique.

Sem condições de sair de casa e criar sozinha os três filhos, ela sofreu com a violência doméstica durante seis anos, até que decidiu dar um basta. “Na última vez em que ele me agrediu, ele me jogou no chão da rua e jogou uma bicicleta em cima de mim, que me deixou cicatrizes até hoje. Saí de casa não só por mim, mas pelos meus filhos que já estavam ficando traumatizados.”

Segundo Monique, a palestra do procurador-chefe Oscar Bittencourt foi fundamental para que ela pudesse esclarecer dúvidas sobre a Lei Maria da Penha. Para a diretora-adjunta da E. M. Leonel de Moura Brizola, Vanilza Mariano de Oliveira, a parceria com a PGM é importante para que outras mulheres agredidas se encorajem e denunciem os agressores.

“A escola precisa de pessoas que tenham este conhecimento aprofundado sobre a lei. As mulheres ficam com medo, mas no momento em que elas percebem que elas têm o apoio não só da escola, mas de outras instâncias, acredito que elas se sintam mais protegidas até para denunciarem e saírem do quadro que se encontram de medo e sofrimento”, explica Vanilza.

Oscar Bittencourt Neto lembrou às expectadoras que o município de Nova Iguaçu conta com um Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) que oferece diferentes serviços às mulheres em situação de violência, como atendimento psicológico, assistência social e também jurídica. “Há também atendimento psicológico e psicopedagógico aos filhos das mulheres que sofrem com violência, além de encontros quinzenas, em grupo, para que elas possam trocar experiências sobre o assunto. A prefeitura de Nova Iguaçu tem uma grande preocupação com relação a este tema. Não hesitem em procurar por estes serviços”, disse o procurador-chefe do CEJUR.